Por Victoria Flynn
Todo mundo já ouviu falar da Reforma Tributária. Mas pouca gente parou para pensar no que ela vai fazer com o bolso, seja de quem vende um produto, presta um serviço ou simplesmente paga uma assinatura todo mês.
A partir desse ano (2026), a reforma deixa de ser um projeto e passa a valer na prática. A mudança irá durar por mais 6 anos e os brasileiros viverão um período em que o antigo sistema de impostos, conhecido pela maioria (PIS, COFINS, ICMS e companhia) vai conviver com o novo (IBS e CBS) por vários anos. (mudar esse parágrafo, deixar mais fluido e com menos cara de IA). Ou seja: (o que isso significa – trocar) mais conta para fechar, mais gente calculando imposto em dobro, e isso, no fim das contas, pode pesar no preço que chega até você(a população ou brasileiros).
Mas trocar a antiga “sopa de letrinhas” (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) pelos novos IBS e CBS não é apenas uma mudança de ingredientes, é como alterar a base de toda a receita. Isso muda o custo, a forma de calcular o lucro e o preço final que chega ao cliente.
Por isso, a precificação exige agora atenção redobrada. O alerta é crítico especialmente para os contratos de trato continuado, aqueles de execução prolongada, como fornecimento, distribuição e serviços contínuos. Se esses instrumentos não forem revisados imediatamente para refletir a nova realidade tributária, a conta não vai fechar no futuro.
Por que isso afeta contratos do dia a dia?
A maioria dos contratos de aluguel, prestação de serviço, de assinatura de internet, fornecimento de material, entre outros contratos do Brasil, costuma fixar um preço “fechado”, já com os impostos incluídos. Isso funciona quando os impostos não mudam muito. O problema é que, durante a transição da reforma, a carga tributária pode subir diferentes setores. E se o preço do contrato ficar travado, alguém vai precisar absorver essa diferença sozinho e geralmente é quem presta o serviço ou vende o produto.
Por exemplo, no caso de um contrato de R$ 100.000,00, hoje, com 15% de imposto, a empresa fica com R$ 85.000,00 “limpos”. Se esse imposto subir para 25% durante a transição (qual transição?) e o contrato continuar com o mesmo valor fixo, a empresa vai continuar faturando R$ 100.000,00, só que agora vai sobrar R$ 10.000,00 no bolso. Na prática, é dinheiro saindo do lucro para cobrir uma conta que, originalmente, não era dela.
O que está sendo feito para evitar esse prejuízo
Empresas mais atentas já estão mudando a forma como escrevem seus contratos. Em vez de fechar um “preço com tudo incluso”, elas estão adotando o modelo de preço líquido — uma prática comum nos Estados Unidos, por exemplo. Funciona assim: o valor do produto ou serviço é definido sem o imposto embutido, e o imposto é somado depois, na hora de emitir a nota, de acordo com a alíquota daquele momento.
Pode parecer um detalhe técnico, mas grandes empresas do setor de energia, já adotam esse modelo justamente para não serem pegas de surpresa com a oscilação dos impostos nos próximos anos.
E tem mais um ponto importante: nem todo desequilíbrio se resolve só repassando o imposto adiante. Por isso, contratos bem feitos também estão incluindo regras claras de renegociação, ou seja, gatilhos que permitem sentar à mesa e revisar o valor caso o imposto suba (ou caia) além de um certo limite, por exemplo, 5%. Isso evita que alguém(quem?) fique “preso” a um contrato que, com o tempo, se torna inviável.
O que isso significa para você
Se você é dono de negócio, presta serviço continuado ou tem contratos de longo prazo (fornecimento, locação, prestação de serviço mensal) vale a pena revisar essas cláusulas agora, antes que o impacto apareça na prática. E se você é consumidor de serviços recorrentes, não se assuste se, nos próximos anos, perceber reajustes vinculados a mudanças tributárias: é exatamente esse tipo de ajuste que as empresas estão buscando equilibrar.
A Reforma Tributária está mudando as regras do jogo. Quem se preparar antes, com contratos bem ajustados, evita dor de cabeça (e prejuízo) mais adiante.